3:00 horas da manhã.
Os risos de confundiam entre a escuridão das ruas vazias.
Talvez no meio de tantos problemas, nada fosse realmente tão ruim. Era bom rir.
Mas entre uma risada e outra, o pneu de uma moto cortou a felicidade e se fez o silêncio. Um silêncio amedrontador, daqueles que te faz tremer até a espinha. Mas o silêncio não era ruim comparado ao que viria depois.
Com um som ensurdecedor, o barulho oco ecoou através da escuridão e ricocheteou no ferro. Era o som da bala atingido o portão. E em seguida o som do desespero.
Foi rápido demais, não dava para discernir o que era certo e o que era errado. Era so a sequência, bala, medo e sangue.
Os disparos atravessaram o nada com uma velocidade quase impossível de entender, e atingiram em cheio o coração que batia forte. E dessa vez forte demais. Mas não era o meu, ainda não era o meu.
Eu ainda podia fugir, pensei.
E cada passo meu era um disparo efetuado contra o que ficara para trás. Cada passo meu era uma esperança que se mantinha presa la no fundo da minha alma. Cada passo era cada pedaço da minha vida sucumbindo a certeza de que o fim se aproximava.
E o pneu que antes cortara a felicidade, agora cortava o desespero e queria me atingir e me entregar a morte. Não havia razão, havia?
Não senti dor.
Foi mais rápido que antes, quando me dei conta so havia eu, totalmente encharcado de sangue e medo, e o silêncio.
E depois gritos.
Gritos que não eram meu, gritos que falavam por mim enquanto eu mal podia dar um suspiro.
E enquanto carregavam o meu corpo já sem forças, eu pensava. Ou tentava.
Valeu a pena? Digo, valeu realmente a pena? Tudo, todos. Valeu viver até agora e morrer sem ao menos conseguir acenar um adeus? Eu queria chorar, mas só escorria sangue.
Tudo ficava escuro e em seguida branco. Eu não tinha mais certeza do real e do imaginário.
Minha última visão foi também a primeira que tive quando nasci. Ela chorava e gritava, mas eu já quase não ouvia direito.
Eu te amo, eu queria dizer. Me desculpe, eu queria suplicar em seguida. Mas nem um sorriso eu podia dar.
Alguns dizem que a morte é horrível, eu acredito que não e eu desejava ela mais do que nunca. Eu queria o silêncio novamente e ele estava tão próximo.
Eu estive aqui, lembrem-se de mim.
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